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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Questão de tempo

Dezembro de 2011,
conheci uma garota.
Eu só não sabia,
que essa garota,
mudaria completamente a minha vida.
Convidei para tomar um café.
Olhando aqueles olhos verdes,
as coisas pareciam fáceis.
Mas a vida não é bem assim.
Não é fácil ser apaixonado.
Minha perna tremia
Horas depois…
Ela disse:
“Preciso ir..”
Levantou,
deu 2 passos,
ficou parada na minha frente.
não consegui fazer nada.
Sou o medo.
Ela foi embora.
3 min depois
levantei.
De chinelo,
na chuva.
sai correndo atrás dela.
Sou a coragem.
Ela entrou no ônibus,
pensei em gritar,
mas,
um cara correndo na chuva,
de chinelo,
é assalto.
O onibus se foi.
Sou o tempo.
Peguei um taxi.
Parei na porta da casa dela.
Ela estava no quintal.
Pulei o muro.
Sou a loucura.
Ela escutou o barulho,
olhou pra trás e disse:
“O QUE? O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?”
Eu:
“Gosto do seu olho verde”
Ela:
“Do meu olho?”
Eu:
“Do nariz, da orelha, do resto do rosto,
e do que ainda não vi sem roupa também”
Ela sorriu,
deu 2 passos,
ficou parada na minha frente.
Coloquei a mão no pescoço dela,
apertei,
puxei,
e beijei.
Sou o tesão.
Depois do beijo.
Ela disse:
“Vou mudar pra Brasilia daqui 1 mês”
Eu:
“Fica comigo por 29 dias?”
Ela:
“Porque 29?”
Eu:
“Gosto de número ímpar”
Ela:
“Você é louco!”
Ela:
“Fico com uma condição”
Eu:
“Okay. Sem anal.”
Ela:
“HAHAHHAHA IDIOTA”
Eu:
“Qual é?”
Ela:
“Se você contar seus medos”
Eu:
“Porque?”
Ela:
“Fala!”
Eu:
“Altura, de ficar velho, de hospital, de doença, de elevador, roda gigante, piercing no mamilo”
Nesses 29 dias,
ela me fez,
pular de bungie jump,
ir em um asilo,
passar um tempo com alguns idosos,
ir em um hospital de crianças com câncer,
entrar sozinho no elevador mais antigo do centro da cidade
e subir 24 andares por 3 vezes.
andar de roda gigante,
tentou me furar com uma agulha de costura
para colocar um piercing.
Passaram 29 dias,
ela não se mudou.
Passaram 4 meses,
ela se mudou.
Nem foi pra Brasilia,
foi pra Alemanha.
Antes de viajar,
ela pediu para eu deixar uma lembrança.
Deixei um cartão.
Escrito:
Sou a saudade.

<http://www.thebrocode.com.br/artigo-205-questao-de-tempo/>


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O ano perdido

 
Dia 11 de fevereiro de 2013. Há pouco mais de 9 meses eu entrava num avião com uma única certeza: a incerteza! Trocava uma “formatura-certa” e um “futuro-certo” por um intercâmbio para um lugar que eu nunca tinha ido, nunca tinha ouvido falar e nunca tinha pensado em estar.
 Alguns chamaram de loucura, outros chamaram de coragem. Eu já nem tentava nomear. O que antes era sonho, já era quase fato no dia do embarque . O que seria, então? Meus pais chamavam de “investimento no meu futuro” (mas…não seria no presente?). Era muita justificativa para uma só opção: subverter a ordem das coisas na sociedade! (Como assim, você não vai se formar no “tempo certo”?).
Os pessimistas chamaram de “Ano Perdido”. A eles eu dedico o meu post. Eles estavam certos: eu, realmente, perdi muito esse ano!
Primeiro de tudo, eu perdi MAIS um ano normal na faculdade, imaginando como seria aquele mundo de que eu tanto ouvia falar, mas conhecia apenas uma insignificante parcela. Eu perdi de passar mais um ano pensando “E se…?.” Eu perdi um ano de desejar ser uma pessoa em intercâmbio. Eu perdi um ano de reclamações. Eu perdi um ano de atormentar os meus amigos e familiares com o meu mau humor e frustração. Eu perdi de passar um ano num lugar, achando que meu lugar era outro. Eu perdi uma formatura que me traria mais infelicidade que satisfação.
E tem mais!
Eu me perdi pela Europa, eu me perdi pelo mundo. Dei um pulinho na Ásia, só pra sentir o gostinho do – ainda mais – diferente. E querer voltar. Eu me perdi pelas ruas de todas as cidades que visitei, principalmente Barcelona!
Eu me perdi pelos meses, pelas semanas e pelas horas. E, só não me perdi mais, porque as estações do ano estavam sempre lá, dispostas a lembrar que os tempos estavam sempre dispostos a mudar, do mesmo modo que eu mudava.
Eu perdi ônibus, perdi trem, perdi avião. Sim, eu perdi!  Eu também perdi o sentimento de perda. Esse – que eu já começara a abandonar quando decidi vir para a Croácia – continua se perdendo em cada viagem, em cada conversa, em cada pessoa, em cada história de vida que eu não conheceria se tivesse continuado abraçada ao comodismo.
Eu perdi o medo. E esse, esse foi o mais difícil de perder. Às vezes ele visita, tenta se agarrar de volta, mas não demora a ser expulso. Perdi o medo da estrada, perdi o medo da solidão, perdi o medo do futuro. Eu perdi o medo da vida, eu perdi o medo da sociedade. E esse foi o mais lindo dos medos perdidos. Não, eu não ouvi falar. Eu vi. Eu vi que nesse mundo tem – SIM!- gente capaz de fazer o bem pelo bem. E isso trouxe a esperança de volta. Ah, a esperança! Mas, peraí, essa entra nos ganhos. E esse texto é sobre perdas, certo? Melhor parar por aqui…
Ah, eu também perdi o apego material. Claro que, infelizmente, ainda não totalmente. Sim, ainda lentamente, ele se esvai. Ele se vai. Ao longo de todo o processo anterior ao intercâmbio e ao longo do próprio intercâmbio. Primeiro por uma questão de racionamento de dinheiro e, pouco a pouco, por uma questão de consciência.  As coisas materiais acabaram por se tornar simplesmente…materiais. Apesar de matéria, elas carecem de substância!
É a tal da filosofia da banana, que minha grande amiga, companheira, aventureira desse ano de filosofias, viagens e aventuras, Jana Maurer, bem nomeou e descreveu aqui.E isso só entende e concorda quem já sentiu a sensação de ter a “vontade de conhecer” mais pesada que a “mochila nas costas”.  É incrível como o “ter” se torna totalmente substituível pelo “conhecer”.
E, finalmente, alguns irão argumentar: mas, e os momentos com seus amigos e familiares que você, efetivamente, perdeu? Aqui, eu reconheço, eu perdi. Mas, com isso, eu (re)conheci  o que e quem eu realmente sinto falta nos meus dias. Eu (re)conheci o que realmente é importante pra mim no Brasil e/ou em qualquer lugar do mundo: pessoas, afeto, laços, momentos, que se criam e renovam no tempo. Ops! Esses são, de novo, ganhos e não perdas.
E aí eu chego à última e mais importante da lista (não exaustiva) de perdas: eu perdi o lado negativo da vida. Perdi essa mania de ver tudo pela ótica da perda. Porque, no fim, toda perda tem seu ganho. Você só estava cego demais para enxergar.E aí, eu também perdi a cegueira. Cegueira de achar que eu era incapaz de narrar minha própria história.
Pois é. Eu perdi muito.
 
*Ps: Este texto serve apenas como incentivo àqueles que têm a vontade de fazer um intercâmbio mas não o fazem por medo das eventuais “perdas”. Eu, apesar de muito sonhadora, não perdi – ainda- a noção de que há pessoas que não têm a possibilidade de fazer um intercâmbio, ou mesmo não têm o mesmo sonho, ou, ainda, têm a opção de trilhar outros caminhos, mesmo o tradicional.  Todo o meu respeito à história de cada um. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Uma vez fui viajar e não voltei

Uma vez fui viajar e não voltei.
Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.
Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.
Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.
Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.
Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.
Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.
Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.
Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.
Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.
Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.
E quer saber?
Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.
Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.
E ainda tenho muito que aprender.
Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.
Uma fez fui viajar…
e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta.
(Marcelo Penteado)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Manifesto viajante

O que eu quero não está na televisão e não há publicidade que possa me entreter – sequer a dou ouvidos.
O que eu quero só se pode sentir em movimento.
Nas idas sem voltas de novos caminhos, no ineditismo de boas caminhadas ou nas janelas que me oferecem vistas cintilantes.
O que quero só se pode sentir no silêncio incomunicável de um pôr do Sol que – posso jurar – não há câmera que o reproduza.
O que eu quero é presenciar a liberdade de me sentir tão solto e perdido, em meio a pessoas que não conheço, paisagens que não estou acostumado e climas que me são estranhos.
O que eu quero é sentir novamente a carência de rigores, que me desconecta de preconceitos e padrões, que me permite ser a versão mais sincera de mim.
O que eu quero é deixar meu olhar curioso.
Sorrir com espontaneidade, sentir minha sobrancelha arquear-se e desembrulhar cada minuto do meu dia como se fossem cartas embaralhadas pelo destino.
O que eu quero só se pode sentir na condição de carona – é quando o que estava rápido desacelera, uma porta se abre e o resto não mais importa.
Compartilhar momentos memoráveis com pessoas de outros países, continentes e realidades. Quando não descobrimos novas aventuras, descobrimos a nós mesmos. Ser diplomata da vida.
O que eu quero só se pode sentir depois de conversar horas com estranhos, beber novas culturas e brindar com novas palavras. Grandes amizades nascem assim. E amores também.
O que eu quero é aprender novas línguas – não para falar, mas para ouvir mais. Mergulhar em novos conhecimentos, sobrevoar novas religiões e pescar novos sentidos que me façam dar, à vida, uma chuva de significados.
O que eu quero…
O que eu quero só se pode sentir depois de percorrer estradas sem nenhum turista, subir montanhas com lendas locais e descobrir que tudo, na verdade, é especialmente único e perfeito. É descobrir que onde poucos chegam, muitos se encontram.
O que eu quero só se pode sentir depois de dormir em diferentes lugares e acordar olhando para tantos outros tetos. Ou às vezes estrelas – desprender-me: a liberdade de não pertencer a nada me permite, potencialmente, pertencer a tudo.
O que eu quero é silêncio.
Um momento presente de paz; e me conhecer. Gritar para o mundo que sou seu filho e escutar meu chamado ecoar, sem barreiras, até perder-se.
O que eu quero é ir mais longe, sentir o vento redesenhar meu rosto e ser contemplado com uma paisagem que me faça tirar os meus óculos escuros.
O que eu quero só se pode sentir quando o coração é a bússola. Das bandeiras que capitaneia minha alma; do sangue de explorador que desvirgina minhas veias – a livre e amaldiçoada necessidade de lograr novos horizontes.
O que eu quero viola preconceitos, visões pequenas e raízes profundas. À qualquer julgamento prevaleço calado. E sigo.
O que eu quero é viajar; mas viajar de verdade, com verdade e por novas verdades. Despir-me de fronteiras e rotas – ser um sopro de vento entre árvores. Tão livre e tão cativante.
O que eu quero, mesmo, é olhar para frente e saber que amanhã estarei lá.
(Marcelo Penteado)

sábado, 6 de julho de 2013

desafio

Mesmo sabendo como eu sou, como eu ajo, como eu fujo. Mesmo sabendo da minha bipolaridade, da minha incapacidade de amar alguém, da minha forma certa de errar na vida. Mesmo sabendo que a minha cabeça ainda está nela, que eu posso vir a te ferir, que eu realmente nunca havia pensado nisso. Mesmo sabendo que eu posso ser um grande naufrágio, posso não passar de um simples barco, que eu posso ser nada mais que uma folha em branco.
Mesmo sabendo tão bem que eu posso mentir, que eu posso não ser o que você precisa, que talvez eu não me encaixe nas tuas perspectivas. Mesmo sabendo que eu posso te fazer bem, que eu posso ser mais que teu ombro amigo, que eu não vou te deixar à deriva.

Mesmo sabendo de tudo isso, eu te pergunto: Se eu te der a mão, você aceita vir comigo ?

sexta-feira, 28 de junho de 2013

*-*

“So - whatever happened to you?'
'Life. Life happened.”

― David NichollsOne Day

quinta-feira, 27 de junho de 2013

One Day


“Live each day as if it's your last', that was the conventional advice, but really, who had the energy for that? What if it rained or you felt a bit glandy? It just wasn't practical. Better by far to simply try and be good and courageous and bold and to make a difference. Not change the world exactly, but the bit around you. Go out there with your passion and your electric typewriter and work hard at...something. Change lives through art maybe. Cherish your friends, stay true to your principles, live passionately and fully and well. Experience new things. Love and be loved, if you ever get the chance.” 

― David NichollsOne Day

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Definição

"Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu
Se não fossem as minhas tias com todos os mimos
Ou se eu menino fosse mais amado
Se não desse errado
Não seria eu
Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim
Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim
Se não fossem os ais
E não fosse a dor
E essa mania de lembrar de tudo feito um gravador
Se não fosse Deus
Bancando o escritor
Se não fosse o mickey e as terças feiras e os ursos pandas e o andar de cima da
Primeira casa em que eu morei e dava pra chegar no morro só pela varanda se
Não fosse a fome e essas crianças e esse cachorro e o Sancho Pança se não fosse o
Koni e o Capitão Gancho
Não seria eu"


(Capitão gancho - Clarice Falcão)

sábado, 25 de maio de 2013

Saudade

"Eu sentirei a sua falta,
Mas sorrio só na chance
De ver você de novo.
Então, me abrace agora,
Antes que você vá embora."


por Brunna Oliveira

Visite: http://expressolondres.blogspot.co.uk/

quinta-feira, 28 de março de 2013

de Caio.

Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhes pareçam verdadeiras. Desfaça os nós que lhes prendem àquelas que foram significativas nas suas vidas, mas infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser. Nó aperta, laço enfeita. Simples assim. (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 12 de março de 2013

de Vinícius.

‎"Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo. Que  saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações da infância. Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já tenho um amigo.  Preciso de um amigo para parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo"
(Vinícius de Moraes)

sábado, 9 de março de 2013

The Little Prince

"But if you tame me, it will be as if the sun came to shine on my life..."
The Little Prince, by Antoinne Saint Exupèry

quinta-feira, 7 de março de 2013

One Day

“You can live your whole life not realizing that what you're looking for is right in front of you.” 
― David NichollsOne Day

quarta-feira, 6 de março de 2013

sábado, 2 de março de 2013

The Little Prince


"Goodbye...And now here is my secret, a very simple secret:
It is only with the heart that one can see rightly; what is essential is invisible to the eye."
The Little Prince, by Antoinne Saint Exupèry

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

De Drummond.

“Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro para fora, de cada um para todos. Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo. Que tenham ideais e medo de perdê-lo. Que amem ao próximo e respeitem sua dor. Para que tenhamos certeza de que: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”
— Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Onde só ela conhece

por Bella Zschaber
em: http://lepremierindice.blogspot.com.br/

Ela tinha uma música especial pra viajar no tempo

Daí ela voltava pra onde tinha amor, pra onde tinha carinho
E se abrigava nos amigos antigos, nos casos que ela sabia o final
Era tão seguro viver por aquelas viagens
Que aos poucos ela deixou de viver pra reviver
E a vida dela era como uma revista sendo recortada e colada novamente
Só que aos poucos algumas partes foram faltando
E tudo o que ela via era bom
Então por algum tempo ela viveu uma vida perfeita
Feita de lembranças consertadas
E um coração curado
Só que era hora de viver de novo
Ouvir novas músicas e viver histórias que ainda não têm final
Mas agora ela foi construindo a vida devagar, com cuidado
Daquele jeito que só gente de coração calejado faz
E novas músicas foram surgindo como que por milagre
Até que um dia ela se esqueceu dos calos, das dores
E se jogou de cabeça num novo caso
Que não acabou bem como todos os outros
Mas que deu pra ela uma música nova pra viajar no tempo
E começar tudo de novo
Como ela sempre fazia
Como ela sempre faz

domingo, 2 de dezembro de 2012

sobre o fim o mundo

O fim do mundo não é no dia 21 de dezembro de 2012. O fim do mundo são os arrastões e assassinatos em São Paulo. É a onda de violência em Santa Catarina. É o furacão em NY. É o goleiro que manda matar a mãe do filho. É a bala perdida que mata a criança. É a mulher que mata a pauladas o cachorro. São os ataques terroristas que matam inocentes. É o aluno que agride o professor. É o professor que agride o aluno. São os adolescentes que planejam matar o colega. É quem ainda joga lixo na rua. São as brigas entre torcidas. É a menina que é estuprada dentro do ônibus. É o ladrão que tem regalias na prisão. É o político que rouba na maior cara de pau. É quem vê um acidente e não presta socorro. É quem presencia uma injustiça e não faz nada. É quem age com imprudência no trânsito. É quem age de má fé na vida. Por isso, o fim do mundo é todo dia.

colado de: http://www.clarissacorrea.com/2012/11/sobre-o-fim-do-mundo.html

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Tenho que admitir

Eu sinto sua falta,
eu sinto falta do que a gente tinha,
do que eu tinha,
do que eu era.

Eu sinto falta da minha segurança,

do meu colo, do meu beijo, do meu abraço certo,
Eu sinto falta de como a minha vida era e do que ela poderia ser.
Eu sinto falta.

Eu sinto falta de quando eu sorria mais do que chorava,

de quando eu dava mais conselhos do que recebia,
de quando e era feliz e sabia.

Eu espero ainda que você apareça naquele ponto de ônibus e me sorria,

eu espero que eu ouça sua voz de novo e me acalme.
Eu espero.
Eu te espero.
Mesmo que o que eu vá receber,não seja exatamente o que eu gostaria.
Eu que ainda espero que você desça por essas bandas, anjo,
e me abrace,como se nada tivesse acontecido.
Eu que ainda te espero,
eu que ainda espero tanto,
Eu que sinto tanto, se não muito, a sua falta.
Eu sinto muito a sua falta


terça-feira, 13 de novembro de 2012

De Martha.

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. 

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? 

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. 


O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Martha Medeiros